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    UMA PROPOSTA PARA A EDUCAÇÃO ESCOLAR

    São recorrentes as discussões em que se ouve que os governos precisam investir em educação. Porém, não vejo que tipo de educação se quer. Pelo contexto parece-me que falam do conhecimento acadêmico, técnico ou científico. E seria isso mesmo o que precisamos?

    Toda a forma de educação é uma coerção, pois ignora o aprendiz e impõe o que o educador entende por ser o correto ou melhor. Esse educador, em se tratando de escola, tem uma cartilha a seguir. Isso não é necessariamente ruim. Entretanto, sem a visão da práxis do conteúdo chegamos ao clímax do saber ‘o quê’ sem o ‘pra quê’. Sem muito esforço vemos isso nas nossas escolas. É um mundo de conhecimento por horas, dias e meses, que se perde tão logo é feita a ‘prova’. O que de fato fica? Algo muito próximo do nada.

    Segundo o psicoterapeuta Renato Dias Martino, “a origem da palavra (educação), dentro da perspectiva semântica, de alguma forma, sempre nos mostra o caminho, tornando mais claro alguns pontos obscuros na pesquisa dos conceitos que utilizamos em nosso funcionamento mental e também em nossas ligações afetivas. A palavra educar deriva do latim educare, ligada a educere, que é um verbo composto do prefixo ex, relativo a fora, mais ducere, referente a conduzir, ou levar. Significa literalmente 'conduzir para fora'. Dentro dessa perspectiva a educação desloca o sujeito de si mesmo indicando o desejo do outro. E se estamos de acordo até aqui, já podemos olhar para a proposta de se educar alguém, de maneira atenta.” O educando não tem como dar a si mesmo o caminho e me insurjo contra teorias de liberdade em que o estudante não é remetido à disciplina. Por outro lado, assim é imposta a responsabilidade sobre essa vida em formação.

    Ora, o que é necessário às crianças para serem pessoas socialmente aceitas, minimamente aptas para o futuro e com conhecimento básico para avançar, além de estimuladas no desejo de avançar?

    Ouso focar no conteúdo e a partir dele propor a pedagogia do que está ao alcance das mãos. Para mim perdemos de vista o básico da vida hodierna, levando em consideração o estilo de vida que nossa sociedade desenvolve, porque saber Equação de Segundo Grau tem maior relevância do que saber cozinhar – sou contra isso. Proponho uma mudança ao que de fato seria o ensino fundamental. (Parte disso se inspira no filme Ao Mestre Com Carinho, de 1966, com Sidney Poitier).

    Para mim o currículo do Ensino Fundamental deveria começar e se desenvolver com os seguintes temas ou matérias:
    Culinária e nutrição;
    Primeiros Socorros, anatomia e afins;
    Mecânica, eletrônica, elétrica, marcenaria e hidráulica;
    História, filosofia (é preciso aprender a pensar) e sociologia (é preciso saber quem somos, como nos formamos);
    Biologia (ecologia) restrita à fauna e flora locais, avançando para o restante;
    Constituição, Código de Trânsito Brasileiro, Código Civil etc;
    Voluntariado e cooperativismo.

    A cada ensino prático a base para o acadêmico. Ora, ao ensinar a cozinhar e aproveitar melhor os alimentos o professor levaria os alunos a viajar no conhecimento dos nutrientes, perigos da alimentação desordenada, as muitas e variadas gostronomias etc. Ao ensinar a instalar uma lâmpada o professor levaria o estudante a conhecer amperagem e a lidar com medidores. Ao falar dos primeiros socorros e anatomia o aprendiz saberia lidar melhor com seu corpo, as fases da vida e como ser mais saudável com exercícios. Ao aprender de mecânica ou eletrônica saberia olhar a dimensão das máquinas ao seu redor e pequenos consertos deixariam de ser um mistério. Com nossos códigos, nossas Leis, nossa Justiça seria melhor entendida e a formação do cidadão, enfim, algo palpável. É óbvio que aquele aluno indisciplinado e bagunceiro se identificaria com alguma coisa e, quiçá, descobriria seus talentos.

    Tudo isso permeado pela História, não como uma matéria, mas como parte de cada ensinamento. Ao entrar num laboratório saberia como a eletricidade foi conquistada pela humanidade e seus atores. Ao aprender a lidar com alimentos saberia como se desenvolveu a agricultura ao longo dos tempos.

    Como está estamos desperdiçando tempo, dinheiro e pouco contribuindo na formação, na construção do conhecimento. Como está é certo que mais crianças deixarão de gostar das aulas porque como são ministradas qualquer um detesta mesmo.

    Muito bem, a discussão está aí. Façamo-la ir adiante.

    Um comentário:

    1. Gostei tanto deste teu texto André...muito bom! Na vida, de modo geral(e na educação em particular)...falta o básico,q invariavelmente se encontra na simplicidade das coisas. Pena q isso não interessa a maquina "burrocratica administrativa alienadora" q nos governa.E deseduca nossas crianças.

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