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    PLANO DIRETOR DE CRICIÚMA

    Eu imagino que Plano Diretor seja como a compra de um carro, o cliente é o Delegado e o engenheiro, o arquiteto/urbanista.

    Muito bem, o cliente pede tal cor e potência, diz qual sua necessidade de uso, capacidade de carga etc. O engenheiro analisa tudo e diz mais ou menos assim: a cor que queres não tem pronta no mercado, pode ser feita, mas sairá com maior valor. Essa potência e uso exige esse tipo de pneu, mas o sr. terá que optar por melhor desempenho na chuva ou não. Se o sr. excluir esse item ganhará espaço ali e pode colocar tal equipamento acolá. E assim vai... Por isso não existe um carro com todos os benefícios gerados pela tecnologia.

    Para termos alguma ideia do que estamos falando em termos de Plano Diretor de Criciúma (dados de 2009): 2.764 ruas, 70% delas com 12 metros de caixa (dá apenas para um lado de estacionamento) e 8,4 mil lotes vazios; o município tem 237 quilômetros quadrados e 75% de sua área é urbana; sua densidade populacional é a 5ª maior do Estado com 816 habitantes por Km² (Florianópolis 627 hab/km² e São José 1.346 hab/km²); seu território está abaixo da média do Estado; o atual Plano Diretor é mais restritivo que o de Curitiba, por exemplo, H/5 aqui e H/6 lá (H=área).

    Não cabe ao Delegado do PD dizer como as coisas serão tecnicamente. Isso é do arquiteto/urbanista. A definição de taxa de sombreamento, análise de escoamento de veículos, acesso aos equipamentos públicos e a criação de novos, as restrições impostas pelas minas de carvão, áreas para empresas potencialmente poluidoras são exemplos de amarrações que precisam cruzarem-se umas com as outras e com a proposta de cidade desejada. Cabe ao Delegado dar a ideia geral e alguns aspectos da cidade que ele deseja para o futuro, quais problemas quer resolver, que necessidades tem hoje etc. Os técnicos analisarão cada item e a repercussão de cada um em si e sobre os demais itens arrolados e ainda aqueles que o Delegado nem faz ideia, além de mostrar soluções e iniciativas doutras cidades etc. Não coincidem o que se conhece da cidade com o que os números revelam.

    Da mesma forma como quem compra um carro não conhece todas as opções de mercado que correspondem à sua necessidade, tampouco poderá exigir que tudo seja exatamente como ele quer. Alguma coisa não será possível ser atendida. É assim quando se vai construir uma casa. O arquiteto levantará informações que o contratante nem faz ideia. Não cabe ao proprietário determinar as plantas hidráulica e elétrica, quais tubos e canos são melhores. O morador limitar-se-á ao uso da água e da eletricidade, peças da casa e seu entorno.

    Mas em Criciúma um cidadão comum quer determinar cota e recuo, por exemplo, quer garantir que não tenha um prédio fazendo sombra em sua casa, sem se ater às implicações disso. Quer que a cidade seja 'mais humanizada' sem levar em conta que cada cidadão trará consigo sua família, carro, trabalho, diversão... Saber e dimensionar não são a mesma coisa. Ora, quando exigimos mais espaço para a bicicleta menos espaço para os carros haverá, já que, dificilmente as ruas mudarão. Ou poderão ser mudados apenas algumas. Não há como mudar cada item sem afetar outros tantos. E isso é coisa para estudos e mais estudos para os quais um presidente de associação de bairros não tem condição alguma de lidar.

    Como os Delegados deixaram claro que o que vem das empresas de construção civil é criminoso, que rico tem que ceder ao pobre, que casa é melhor que apartamento... Não há, como querem alguns, um PD perfeito porque a cidade é dinâmica, novos problemas surgirão para serem resolvidos. Enfim, claro que daria em 12 anos de emperramento!!!

    A cidade tem que crescer pra cima. Mesmo não sendo do agrado da maioria é em apartamento que temos que morar (eu não gosto da ideia de morar em apartamento). A conta é simplérrima: pegue cada apartamento e coloque ao lado um do outro e veja quanta terra será necessária. Além disso, os serviços e comércio ficam mais concentrados, facilita os negócios e o próprio acesso da clientela. Sem essa verticalização teremos menos áreas de lazer, menos espaço para a indústria e agricultura, menos áreas verdes e por aí vai.

    Caso você queira ler o Plano Diretor, que duvido que os Delegados tenham feito, é bom saber: são 500 páginas, 29 mapas, nove tabelas, 58 anexos e 26 apêndices. Tudo em oito capítulos.

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