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    ENSAIO SOBRE A PAREDE

    Quando estamos diante de uma parede podemos apenas não notá-la. Podemos admirar a pintura, ou o papel de parede que a cobre. Mas podemos ver um pouco mais.

    Para tanto é preciso analisar se a cor está em harmonia com o restante da casa. Ou se o papel de parede diz alguma coisa sobre quem ali habita ou por sua beleza em si mesmo. Além disso, podemos analisar o reboco, o tipo de tijolo, o tempo e custo, o alicerce. Podemos também conversar com quem a fez, com quem pagou por tudo e porque de sua existência. Há uma história que envolve essa parede. Ela existe por causa de uma necessidade, para satisfazer alguém. Há um propósito em existir.

    Uma parede é muito mais que uma parede. Ela representa vida, representa esforço humano. É fruto de uma ou de muitas vidas. Ela se relaciona com um passado e com um futuro. Quanto tempo ''viverá''? Por quanto tempo será útil? Mudadas as necessidades e as pessoas que dela se servem teria que ser destruída? Que paisagem a parede não deu aos olhos dos passantes? Que frio não esfriou, que chuva não molhou, que calor não aqueceu, que luz não iluminou, que vento não soprou por causa da parede?

    Destruída a parede se vai com ela sua própria história e os olhos que, por terem outra coisa diante de si, dela não mais falarão, nem de tudo que representa. Morrem ali os desejos de antes de ser, os desejos que acobertou, os sonhos que passaram por ter que existir uma parede. Os sussurros, gemidos, risadas e confissões, medos e angústias, cujos sons não foram além da parede. Ela refugiou, protegeu e ocultou, segurou quadros e cabos de vassouras, alguém nela encostou a testa e enxugou as lágrimas. Que tantas visões teve a parede?

    A parede, com toda a sua frieza e passividade, deu liberdade aos amantes...

    Ah, se a parede falasse! Sim, ela teve ouvidos.


    10 comentários:

    1. Muito bom, Dezinho, esse ensaio sobre a parede: "A parede, como toda a sua frieza e passividade, deu liberdade aos amantes"...
      Parabens e um bom caminho, querido amigo.


      Mhanoel Mendes

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    2. CURTI E TEM MUITOS SIGNIFICADOS AÍ FICA A QUEM QUER ENTENDER

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    3. O tempo todo q durou a leitura (e releituras necessárias) do texto deste André hj meio saramaguiano tive diante de mim não um monitor, um texto e articuladas palavras.
      Fui bem alem da parede do Roldão e da minha....vislumbrei aqui a concreta parede-muro da obtusidade humana.
      Ir além do q é ou só parece ser, me faz pensante, pulsante...viva.

      E concordo contigo guri...qto de exercício cerebral pode uma simples parede! Imagine uma realidade inteira.

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    4. Senti-me lisonjeada André por este ensaio, lindo devaneio poético que nos faz pensar, sentir e vibrar. Obrigada!! Mhel Rodrigues

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    5. André!!!! Que doce!!!! Adorei as curvas e por fim o fim... Ficou melódico, harmonioso, conciso... Parabéns mais uma vez!

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    6. Só de uma inteligência ímpar, poderia sair algo tão criativo, real e com grau extremo de sensibilidade! Fiquei impressionada! Isto é ver do abstrato! Parabéns!

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    7. Oi André...cara...ainda bem que parou pra meditar sobre A PAREDE..hehehe...brincadeiras a parte, o texto faz agente refletir...sabe de uma coisa...a parede fala também de divisão e fala de obstáculo, mas isto deve ser matéria pra outros textos não?! Muito legal, diria até muito "loco", como diz a gíria. Parabéns!!!

      Lu (cunhada)

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    8. Roldão tu tá zen é? rsrsrs deveria publicar em jornal, ficou muito bom. parabéns. Deza

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    9. Curti muito!!!
      Bem filosófico e subjetivo, mas numa linguagem acessível e que nos leva a refletir. Legal mesmo!

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    10. Caro André!
      Surpresa agradável seu ensaio. Acompanho seu trabalho e por conta dele percebo que a tensão é uma constante em sua vida. Através desse belo e sucinto texto realizei uma nova leitura sobre seu perfil.
      Um grande abraço fraterno!
      Marcia

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