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    ENSAIO SOBRE O ADULTÉRIO

    Traição, sexo fora do casamento, adultério... que mais nomes vamos dar? Safadeza? Pouca vergonha?

    Que se diria sobre o acordo que foi desrespeitado por que não previu que mudamos? Um acordo muitas das vezes tácito, onde supõe-se que o outro deva comportar-se dessa ou daquela forma. Que casal pode programar o futuro com tal exatidão? Que tabela seria feita para cobrir a necessidade de um ou de outro? Que desejos são imutáveis ou absolutamente mutáveis?

    Somos um universo complexo, confuso, incoerente.
    Somos o que não gostamos.
    Somos o que aprovamos.
    Somos atos para um lado e pensamentos para outro.
    Somos o que é possível e somos o imensurável.

    Que amor seria esse pelo outro a tal ponto de anular-se o mais forte dos impulsos?
    Amo a tal ponto de não me querer mais.
    Amo a tal ponto de lacrar gavetas.
    Amo a tal ponto de não limpar mais por debaixo da cama para querer mais coisas guardar.
    Amo a tal ponto de amar demais, desejar demais, arriscar demais, sofrer demais.

    Não quero amar assim. Quero amar assim.
    Não quero desejar assim porque quero desejar assim.
    Não amo a mim porque me amo sem saber que amo mais a mim.

    Os amores sempre são antagônicos.
    Os amores são sempre para dois lados.
    Os amores por amores que não se amam.

    Traí-me por mim.
    Adulterei-me. Adulterar é mudar! Sou um adulterado. Que minha natureza me adultere ainda mais para não ser novamente eu.
    Fui da safadeza para a pouca vergonha. Porque a vergonha, sendo pouca, é de toda safada. Mas também fui da pouca vergonha para a safadeza. Porque a safadeza, sendo muita, é de toda sem vergonha.

    Casei-me. Casei-me com a fidelidade e não declaro divórcio da loucura. Sou cônjuge da loucura.
    Que o meu amor por mim mesmo não me traia, que não seja eu um safado para comigo e que minha vergonha não me impeça a sinceridade que o travesseiro impõe.

    Teríamos nascidos loucos, envergonhados, para tentarmos ser normais?

    Venha, serás a coroa de insanidade que me falta.

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