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    SABIAS DISSO SOBRE O MENSALÃO?

    Neologismos são comuns. Afinal, a língua é dinâmica e mutável. Palavras vão e vêm tão rápido quanto seus significados são mudados ao ponto de nada terem a ver com sua etimologia. Mensalão não foge à regra e passou a constar dos dicionários graças à mídia conquistada pelo deputado federal pelo Rio de Janeiro, Roberto Jefferson (PTB), com quem pude conversar longamente em sua última visita à Criciúma.

    De algum modo a palavra “mensalão”, vinda do adjetivo “mensal”, já era substantivo desde há algum tempo, nas designações da Receita Federal, mas não tinha entrado para a língua portuguesa, tampouco denotava corrupção. Os impostos pagos por mês eram designados por “mensal”, “mensalinho” e “mensalão”. Todavia nenhum dos três tinha sido ainda abonado nos dicionários, sendo um jargão meramente "técnico" ou usado pelos tecnocratas do Fisco.

    A origem remota de “mensal” é o latim tardio mensuale, de mensis, mês, de uma raiz indo-européia -*me, que deu em grego métron, medida, e em latim metiri, medir... Ou seja, é regra é clara: tudo mutável!

    Abocanhado por uma CPI “Mensalão” passou a designar preferencialmente, desde 2005, o complexo sistema de corrupção de parlamentares, identificado como “organização criminosa”, conforme denúncia oferecida ao STF por Antonio Fernando de Souza, procurador-geral da República e em seguida por Roberto Gurgel. A nova palavra tinha sido sorrateiramente referida no Jornal do Brasil, depois explicitamente na Folha de S. Paulo (6/6/2005), após famosa entrevista de Jefferson.

    Ação Penal 470, como o STF faz conhecer, tem o mesmo número do porco no jogo do bicho. E com tanta lavagem de dinheiro não tem porco que não engorde!

    Adaptado de texto do Observatório da Imprensa que você lê na íntegra AQUI.

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