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    CARTA DE ROMANNA APÓS AS ELEIÇÕES

    Amigos queridos,

    A candidatura à Prefeitura, fruto da coligação PMDB, PT, DEM, PCdoB, PSL, PTB e PRB, foi uma oportunidade honrosa de consolidar uma busca minha e de tantos criciumenses por um outro modelo de cidade. Dediquei-me integralmente a esta busca, iniciada ainda enquanto vereadora, mandato que cumpri com o melhor de minhas faculdades e possibilidades. E o fiz defendendo a transparência, saúde digna, planejamento de longo prazo, o Santa Catarina 100% público, o Plano Diretor, zêlo pelo dinheiro público, o respeito às leis e às pessoas... 

    Durante três anos, enquanto o governo municipal falava através de um megafone, muitas vezes distorcendo a verdade ou fantasiando a realidade, eu falava com uma mordaça, tentando externar na Tribuna da Câmara de Vereadores o grito abafado de tanta gente decente e atuante. Então, quão honroso e precioso foi poder abrir minha boca durante a campanha e soltar a voz em alto e bom som em nome de milhares de criciumenses! Nosso alerta foi feito e registrado - pedimos respostas para a situação financeira da prefeitura, que nos preocupa; razões para o não funcionamento da UPA e HISC; para a ausência de planejamento de longo prazo para a cidade; para os fortes indícios de fraude em licitações e desvio de dinheiro no atual governo; para a situação precarizada dos professores da educação infantil da AFASC; dentre outros. Além de cumprir nosso papel de mostrar a realidade, também colocamos sobre a mesa nossas propostas para construir um outro modelo de cidade no qual a creditamos com a mente e coração. E isso, para mim, é vitória! O tempo é o senhor da razão... Receio quão dolorida será a dor de dente quando a anestesia passar... Mas nossa parte fizemos. Por isso posso dizer que o sentimento que predomina em mim é o da serenidade que resulta do dever cumprido. 

    Poderíamos ter feito melhor? Sempre é possível melhorar. E essa é a beleza da vida!

    Talvez tenhamos falhado em comunicar às pessoas que, como partidos, não nos juntamos em 2012 apenas para uma eleição, mas continuamos juntos na eleição, pois juntos estávamos desde janeiro de 2009 quando tivemos que levantar nossa voz para não deixar aprovar a primeira proposta do Clésio como Prefeito, que pretendia acabar com o caráter deliberativo dos conselhos municipais, inclusive da saúde e educação. E juntos estávamos na defesa da transparência e do Hospital Santa Catarina 100% público, na nCPI do esgoto, e tanto mais. E, exatamente por isso, juntos continuamos no processo eleitoral apresentando um caminho alternativo e coerente para Criciúma. Achávamos que três anos de batalhas conjuntas nos grandes debates da cidade dispensavam maiores explicações para o fato de permanecermos juntos na eleição. Possivelmente nos enganamos. Não que eu ache que isso fosse alterar o quadro eleitoral, mas os ajudaria a nos compreender melhor. 

    Também quero fazer um registro quanto à minha transferência partidária. Eu só passei a considerar trocar de partido quando, da noite para o dia, o DEM - partido ao qual eu pertencia -, mudou. De forma muito consciente, filiei-me ao PMDB e aqui vou ficar para ajudar a resgatar e fortalecer o velho MDB de Ulysses. Mudei de partido, mas não mudei de valores nem de posição. Foi e continuará sendo a linha do interesse público que define minha postura diante de qualquer situação. 

    Outro registro a ser feito: - Não tenho chefe. Tenho um vice-governador parceiro e companheiro de partido, e junto a ele buscarei mais conquistas positivas para Criciúma. Amanhã, inclusive, viajo a Florianópolis para me reunir com o vice-governador e retomar o assunto do repasse de R$ 1,5 milhão de emenda parlamentar de minha autoria para a estruturação da oncologia pediátrica. 

    - Aos vereadores eleitos e suplentes: fui sua vereadora por mais de 3 anos, e como tal, procurei cumprir minha maior responsabilidade de fiscalizar o bom uso do nosso dinheiro. Para isso, fiz mais de 30 viagens a Florianópolis, levando questões como a revitalização da Rodovia Luiz Rosso; o resultado da CPI do esgoto, onde pedimos a devolução do dinheiro público; a Rua Silvino Manganelli e outras ruas do Pavitotal, atrasadas e cheias de problemaa de execução da obra, etc... Agora que vocês são os meus vereadores (pois quem se elege torna-se vereador de toda uma cidade, e não apenas dos seus próprios eleitores), coloco nas mãos de vocês o acompanhamento formal desses temas para que, como cidadã, eu possa ver o resultado final em prol da nossa cidade. 

    - Acertem a mão quando tratarem do Plano Diretor, assunto que não se encerrará com a sua aprovação. Ao contrário, aí então é que o planejamento passa a estar em pauta permanentemente.

    - Aos mais de vinte mil criciumenses que votaram pela saúde, pela transparência, pelo planejamento.. Fecho os olhos e enxergo vocês... Que visão linda: um Estádio Heriberto Hülse inteiro, lotado de criciumenses cujo grito legítimo e corajoso ousou divergir da voz corrente, assim como um barco que quer chegar à nascente, tendo que remar contra a correnteza que arrasta noutra direção. Nessa eleição, cada um de vocês tinha um pouco da Romanna, e a Romanna candidata a prefeita só existiu por causa de vocês. Nesse caminho, fomos um em propósito. Porque o que nos colocou juntos e misturados não foi uma aliança partidária bem costurada ou a perspectiva de poder - até porque já se sabia que a missão não seria fácil.. O que colocou juntos, e bem juntos, mais de vinte e um mil criciumenses de todas as idades - eleitores e não eleitores, partidários e revolucionários, comunistas e demistas -, foi o direito sagrado que a democracia nos dá de sonhar, divergir,
    questionar, querer ir além. E mesmo sendo minoria, fomos e seremos fortes enquanto nossa voz ressoar com a força da convição.

    - Recebi tantas manifestações carinhosas de pessoas preocupadas com meu bem-estar depois da apuração dos votos... Digo a vocês o mesmo que disse quando minha filha perguntou, domingo a noite, se eu estava triste porque não havia ganhado. "Claro que ganhei", disse a ela. E diante de um rostinho perplexo e choroso, vi que precisávamos conversar mais. Disse a ela que uma eleição é muito mais que um jogo de futebol, onde o placar define um perdedor e um ganhador. E que no jogo da vida, quando as coisas não saem conforme o esperado, ainda assim podemos ganhar experiência, humildade e mais força para continuar caminhando. E que, por isso, só perdemos quando não temos convicção no caminho. 

    Então, especialmente para os 21.415 criciumenses que nutriram comigo o sonho de uma cidade que cuida das pessoas, compartilho a passagem que li para consolar a Martina num de seus livros favoritos. É a parte quando a raposa disse ao Pequeno Príncipe: "Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos." Nossa vitória não é tão vistosa, mas é real e significativa. Saibam que estou feliz e satisfeita com nossa bela experiência. Com vocês, ganhei tanto aprendizado ao caminhar pelas ruas e bairros de Criciúma e ver com meus olhos por onde passam e como vivem meus irmãos criciumenses... Como valeu a pena permitir que meus vizinhos que moram no centro descobrissem que existe uma outra Criciúma, a dos bairros, que convive com problemas graves e permanentes. E que esses problemas não são deles, são nossos também, porque somos uma só cidade. Como valeu a pena buscar em outras cidades experiências bem sucedidas na saúde e no planejamento, como Curit iba e Novo Hamburgo e saber, dessa forma, que dá sim para fazer melhor! Como foi bom ter minha alma nutrida pelos sorrisos e abraços, e meu corpo alimentado com a generosidade desse povo que tanto amo. Como em nenhuma outra campanha, me expus completamente andando a pé por lugares que poucos iriam sós. E felizmente, não recebi uma única recusa em porta alguma. Porque levava comigo a tira-colo o respeito por quem tinha preferência por outro caminho. E da mesma forma fui respeitada.

    - Incrível como uma mentira repetida várias vezes acaba sendo aceita como verdade. Bastou o Clésio Salvaro inventar para mim, no debate da RBS, uma rejeição que não existe na prática e que nenhuma pesquisa, interna ou oficial, jamais me atribuiu, nem de perto, que a cidade passou a tomá-la como verdade. Até entendo porque, pois o que se espera da maior autoridade do município - o prefeito - é que fale sempre a verdade. Nem 50%, tampouco 60%, como escreveu alguém levando adiante uma inverdade comprada sem maior atenção. Andei e ando por essa cidade sem seguranças, como fez o prefeito, e sem receio de bater em qualquer porta - em qualquer bairro. A boa acolhida que sempre recebi resulta da tolerância e do respeito que levo comigo por todos, inclusive por quem pensa diferente de mim. Quem andou comigo sabe que o melhor das caminhadas era a acolhida das pessoas. Quanto carinho, quanta emoção! Mas suponhamos que, ainda que um dia isso viesse a acontecer, e que es sa rejeição fosse de quase 100%, ainda assim eu continuaria erguendo a minha voz em alto e bom som para falar a verdade. Mesmo que fosse a única a enxergar. Eu não assumi as posições que assumi, como vereadora e como candidata a prefeita, por serem agradáveis ou populares. Pelo contrário, questionar e encarar a realidade geralmente é incômodo... E o dia que me faltar essa disposição, estará na hora de deixar a vida pública. Como tenho muito dessa disposição, esse momento me parece bem distante. Minha disposição é continuar sendo a voz de vocês, minorias ou maiorias, em prol dos nossos sonhos comuns e legítimos. Então, para terminar, pego emprestado, de novo, a sensibilidade exata de Antoine de Saint Exupery, quando disse: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Por vocês e com vocês, continuarei a semeadura. De coração, muito obrigada, Criciúma, por me permitir fazer a minha singela parte na tua grandiosa história.

    - Muitos têm me perguntado sobre o meu futuro político. Tenho 37 anos; tenho tempo e tenho a ficha limpa; portanto, todas as possibilidades estão abertas. Mas por ora, faço dois registros apenas: 1) Tenham a certeza de que, onde quer que eu venha a estar, seja como cidadã, como deputada federal ou numa nova candidatura, estarei do mesmo lado do interesse público, defendendo novamente a transparência, o bom uso do dinheiro público, saúde digna, planejamento com visão de futuro. 2) Porém, mais importante do que focar agora no projeto político de uma pessoa é pensar no futuro da nossa cidade. Não podemos repetir a distorção desta última eleição que submeteu o futuro de uma cidade inteira ao projeto pessoal, ego ou vaidade de uma pessoa.

    Contem comigo, com a minha franqueza e com a minha alegria. Hoje e sempre. 

    Com carinho e gratidão,

    Romanna.

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