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    D. DINA E UM POUCO DA HISTÓRIA DE CRICIÚMA

    Por conta de minha postagem no Facebook Agilmar Machado, jornalista, fala de um episódio em meio à deflagração do Regime Militar em março de 1964, "que ocorreu naquela etapa, quando operários, insuflados por pseudo-líder sindical, prometiam explodir o depósito de dinamite das minas (que ficava no porão do edifício da rua Rui Barbosa, 149)."

    Liderados por Parente, o grupo levado pelas palavras vibrantes do pretenso "líder" vinha disposto a perpetrar o plano. O que desconheciam é que iria haver uma dura resposta armada para defender o patrimônio e, também, evitar que muitos inocentes viessem a perecer numa explosão daquele porte. Assim, em cada janela do prédio havia pelo menos três pessoas prontas a rechaçar, à bala, qualquer investida. Eles deixaram a sede do sindicato e já se encontravam na rua Rui Barbosa, a menos de cem metros, enquanto, no prédio, todos estavam atentos a ordem de disparar.

    Dona Dina, arriscando sua própria vida, surpreendeu a ambos os lados ao deixar o prédio e, sozinha, enfrentar o líder e desafiá-lo publicamente. Dirigindo-se aos operários, advertiu do perigo que os aguardava, bem como que poderia causar uma explosão no depósito de dinamite. Convenceu os "liderados" a recuar. O "líder" ainda recebeu um monte de desaforos pela cara, desafiado para medir forças com ela ali mesmo, de "mano a mano". Ambos acabaram sós no meio da rua com o afastamento dos operários. Sem responder nada, ele também se afastou.

    Antes desse desfecho já se tinha conhecimento da ameaça e havia rodízio de guarda em pontos estratégicos do edifício e de locais circunvizinhos, o que durou quase uma semana indormida.
    No diálogo Darci Antonio Althoff fez sua manifestação: "Lembro do exército, ficávamos conversando com eles sobre o motivo que estavam aqui, mas faziam que não sabiam." Da mesma forma Patricia Nardini: "Nossa... tanta informação!"

    Agilmar Machado complementa.

    Na ocorrência que culminou com a presença do Exército, em Criciúma, há que se discernir entre o fato da tentativa de invasão do prédio da rua Rui Barbosa, o que se deu em 1962 (se não me engano) e a tropa do Terceiro Exército do tempo da "legalidade", movimento liderado por Leonel de Moura Brizolla destinado a garantir a posse constitucional de João Goulart, como presidente (com a renúncia de Jânio Quadros). Os militares ficaram acantonados ao longo das margens da então sub-base da estrada entre Criciúma e Içara (distrito), na zona norte da cidade.

    Era uma tropa de recrutas que não tinha muita experiência de sobrevivência em circunstâncias adversas de tempo. Chovia muito e as nuvens eram bastante escuras e de baixa altitude, tendo perdurado por muitos dias. Os víveres foram acabando e faltava combustível. Não havia nenhum sinal de hostilidade contra ninguém. Tinham o destino de Cabeçuda (Laguna) onde se propalava que poderia haver um choque com forças contrárias, vindas do norte.

    O Dite Freitas e eu íamos até lá, quase que diariamente, para levar cigarros e muitos gêneros não perecíveis  Conversávamos bastante com a tropa. Nada tinha a ver com Criciúma; eles estavam apenas de passagem e foram obstados pela chuva incessante por muitos dias. Tão logo a tropa se deslocou, requisitou combustível num posto de gasolina, já em Tubarão (na entrada antiga, já que a BR-101 somente seria concluída em 1970).

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