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    FINADOS: ÍCONE DE INCOERÊNCIA

    O Dia de Finados atesta em contrário à relação dada a ele. Ora, se os que se foram estão vivos em nós, na nossa memória, descarta-se totalmente a necessidade de feriado e muito mais de adornos e cuidados com túmulos. Ou seja, o vínculo é a nossa consciência, nossa memória, o ato e momento de lembrarmos. O que se dá a qualquer momento.

    A relação que é feita com o corpo em nossa cultura é de uma incoerência abissal. Como estabelecer uma relação com a matéria temporal? Não há essa possibilidade. Ainda mais que é possível que alguns arrumem túmulos sem que haja qualquer osso lá dentro, tendo sido consumido pelos agentes da natureza. A natureza determinou a consumação do corpo, daí estar claro que com ele não temos qualquer relação. Diriam alguns que a relação não é com o corpo... Então, nada de túmulos ou similares.

    Para um povo que se tem como cristão isso beira a insanidade. Não há qualquer sentido, diante da fé que dizem possuir, ter um feriado e esse tipo de relação. Isso me parece muito mais fruto da ânsia de manter o vínculo. Alguns chegam a guardar até a roupa, coisa que parece doentio.

    A origem disso está nos tempos do império Romano e as tais catacumbas (locais de depósito de corpos escavados em subterrâneos). Quando o cristianismo instituiu a ressurreição dos mortos, a glorificação dos corpos, para serem assuntos ao céus, após o juízo final, entenderam que o corpo deveria ser preservado para a tal ressurreição. Ora, um corpo consumido por chamas num acidente não estaria incluso nessa visão, por exemplo. Daí entendo que houve um mal entendido. Deus não me parece necessitado de uma mãozinha para ressuscitar alguém. Suponho que regras não devam ter exceções quando o assunto é vida após a morte.

    Em suma. Finados é um ícone da incoerência cristã.

    Um comentário:

    1. Prezado André,
      Perfeito o teu colóquio, tchê!!! Parabéns! E aí eu te pergunto:
      Até quando o "poviléu carola" praticará esta bestificada( automatizada, sem que a razão intervenha!) incoerência, tchê???!!!

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