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    SÉRIE A? ACHO QUE NÃO!

    Sem deméritos por torcer e se empolgar com o Criciúma, calculo que umas 5 mil pessoas deram seis horas de seu tempo para ir (e voltar) ao HH, sendo modesto, em dois jogos nos últimos 30 dias. Viveram momentos de tensão, alegria e tristeza até a classificação para a Série A. Outras incontáveis horas de discussões, lamentos, análises e apostas. Cada um empreendeu alguma energia para entender e até dizer o que o time tinha que fazer em campo. Montaram mentalmente seu time ideal, chutaram o balde com o técnico e disseram o que o Antenor Angeloni tinha que fazer. Sim, supõe-se que torcedor saiba mais do seu time que o técnico e o presidente do clube... Incrível!

    Porém, algo corria paralelo a isso. Houve uma vida que seguia silenciosa ou tão ruidosa que não pode ser ouvida com clareza. Sim, pairava sobre suas cabeças uma história que nem sempre é contada. Estava sobre estes torcedores a vida que não era deles. Uma vida quase desconhecida: a de outras tantas pessoas. A cidade tem suas veias, seus suspiros. A cidade pulsa, afoga-se, transpira, ressurge a cada dia.

    Eis a pergunta que não quer calar aos meus ouvidos: Quanto tempo deram à cidade de forma voluntária?

    Volto a dizer, até para evitar a fúria incontida que parece nortear a conduta de torcedores, que este texto não é uma depreciação à sua paixão pelo Tigre. Mas chama a atenção a desproporção. Convoque uma reunião na ACIC ou CDL para discutir os rumos do município e estarão lá os mesmos 10 ou 20 de sempre. Mas os outros 4.980 seguirão reclamando dos políticos...

    Vou ao meu desabafo. Durante quatro anos fui voluntariamente às reuniões do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Criciúma, onde discutíamos os pedidos de isenção de impostos ou ajuda do poder público com máquinas, por exemplo. Por dois anos conduzi o núcleo das lavanderias industriais para que desatassem o nó do lodo químico resultante do processo de lavagem do jeans. São apenas dois exemplos pessoais. Era dificílimo contar com um número representativo. Era raro, e tornou-se impossível, mobilizar cidadãos para trabalharem por algo acima de seus umbigos. ONGs que dão assistência a idoso e crianças penam atrás de recursos ou de voluntários para uma limpeza, ou para arrumar uma fechadura, uma tomada ou qualquer coisa simples. Recentemente um asilo estava praticamente sem comida em Criciúma. Houve uma bela mobilização, mas por que chegou nesse ponto? Não precisamos conviver com isso.

    Lamento profundamente que coisas bem mais significativas para a vida de todos sejam tão barbaramente neglicenciadas.

    Estamos mesmo na Série A?

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