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    NÃO VOU PARA O CÉU - II

    Comecei a escrever sobre o Céu AQUI. Nesse texto arrazoei sobre a memória e pensamentos que não combinariam com esse lugar. Em suma, se não haverá conflitos também não haverá desejos, vontades (legítimas) e não teríamos uma vida. Seríamos bonecos! Claro, tudo é uma baita viagem no tema. Nada que se possa tirar alguma verdade. Contudo, vou um pouco além no assunto, indo ao capítulo 21 do livro de Apocalipse, na Bíblia.

    Evidentemente, não vou interpretar, dar significados, mas ater-me-ei ao texto. Ao que ele diz em si e não ao que tantos querem que ele diga. Sim, parto do princípio que mistérios são inacessíveis e o autor estaria mesmo dizendo o que disse pra evitar o que ocorre hoje: toda a sorte de ilações.

    Vamos a alguns detalhes:

    "Um novo céu, e uma nova terra" - e qual seria o velho? Com certeza não se refere ao céu que conhecemos com nossos olhos, mas não sabemos nada do tal Céu de hoje. E por que razão haveria um novo? A única coisa é que o de hoje não seja tão bom. A nova terra é compreensível. Para quê uma nova terra se bastaria o Céu?

    "A santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu" - Uma cidade significa limites, fronteiras, um espaço delimitado. Já que falou de uma nova terra é justo que fale de uma nova cidade. Outra vez o Céu perde seu sentido. Além disso, fala do inconcebível: descer de Deus coloca-o não como um ser onde tudo está, mas igualmente com corpo, delimitado no espaço. E o resto desse novo planeta nada diz. Sequer fala se poderíamos sair de suas fronteiras, mesmo falando nos 12 portões.

    "Pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus" - Estranho expressar-se colocando as coisas no futuro quando o restante da Bíblia fala em seu povo desde Abraão, Isaque e Jacó. Estará? Então não está e nem é o seu Deus. Ora, não te parece óbvio que colocasse as coisas como sendo apenas uma mera continuação?

    "A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida" - Como de graça? O tipo de vida exigido pela Bíblia está muito longe de ser algo de graça. Tem um custo e muito elevado. Basta tentar segui-la.

    "Quem vencer, herdará todas as coisas" - Outra vez uma condição que depende das ações do crente. Daí não é de graça coisa alguma. É por puro mérito.

    "Quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos que se prostituem, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre" - Bem, espero que tímido tenha sido um erro de tradução. Quanto ao restante esta claro que o candidato ao Céu tem que abrir mão de sua vida. Partindo do princípio de incredulidade é óbvio, que ninguém é homicida por esporte, que prostituição não é brincadeira de criança, que idolatria é cultural, que a mentira é, por vezes, uma necessidade está claro que o mérito é de quem muda de vida com vistas ao Céu. Ou seja, nada é de graça!

    "E mediu a cidade com a cana até doze mil estádios; e o seu comprimento, largura e altura eram iguais." - Interessante é usar uma medida grega. Um 'estádio' tem cerca de 176 metros, o que, daria à cidade, se os 12 mil estádios é a soma de cada lado, 2,1 mil quilômetros, ou 500 quilômetros de cada um dos quatro lados. É bem grande, mas caberia todos os salvos em tantos séculos? Não faço a menor ideia.

    Mas o que para mim há de mais estranho nessa descrição é da própria cidade. Como segue:

    "E a construção do seu muro era de jaspe, e a cidade de ouro puro, semelhante a vidro puro. E os fundamentos do muro da cidade estavam adornados de toda a pedra preciosa. O primeiro fundamento era jaspe; o segundo, safira; o terceiro, calcedônia; o quarto, esmeralda; O quinto, sardônica; o sexto, sárdio; o sétimo, crisólito; o oitavo, berilo; o nono, topázio; o décimo, crisópraso; o undécimo, jacinto; o duodécimo, ametista. E as doze portas eram doze pérolas; cada uma das portas era uma pérola; e a praça da cidade de ouro puro, como vidro transparente."

    Sinceramente, que beleza há nisso se o valor das pedras já não existirá? Uma cidade só de pedras? Quer coisa mais fria? Sugiro que Deus contrate um paisagista, que arborize tudo. Ainda dá tempo!

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