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    É FANTÁSTICO

    Assisti ontem à boa parte do Fantástico. O suficiente para ver o esforço do programa em combater o preconceito. E estaria absolutamente certo se combatesse o preconceito de fato. O que fez foi a defesa de uma visão das coisas em detrimento da outra.
    Colocar-se na condição de vanguarda, de visionário, é coisa antiga
    Primeiro, o que seria o preconceito? Ora, preconceito é um estágio do conceito que, em não evoluindo, permanece e cristaliza-se tornando-se o próprio conceito. Esse estágio começa com a percepção de que há algo, problema, situação, pessoa etc. A partir disso começa a ponderação sobre causas e consequências, julgamento e sentença, bem como atitudes a cerca do tal que o grupo passa a ter. É como fofoca, onde a interpretação passa a ter mais peso que os fatos. Na prática o cidadão comum, de pouco estudo, pouca capacidade de ver o tema ou desinteresse em sua amplitude apressa-se em chegar a conclusões. Há uma clara necessidade de ser assertivo e mostrar que, não somente entendeu o fato/pessoa, mas também que já sabe o que fazer. Em geral algo de fácil assimilação, como excluir-se ou excluí-lo da convivência. Ora, porque temos cristãos quando a Bíblia é clara na repulsa a homossexuais? Incrível como conseguem crer num livro baseado em preconceitos, em um modo de vida baseado na espiritualização do que é natural. Um livro que trata o resultado da plantação de alimentos, por exemplo, como reflexo da condução religiosa de um povo é no mínimo burro.
    No programa da Globo a coisa também se desenrolou assim, porque não analisou as razões primeiras da repulsa de grande parte da sociedade às encenações, às pinturas, expostas recentemente com apelo sexual. Para essa turma eles podem criticar a opor-se à sociedade, mas a sociedade não pode fazer o mesmo. Uma coisa um dos artistas está absolutamente correto à cerca de uma representação de Jesus com muitos braços: "Aquilo não é Jesus!". E não é mesmo. Se tem um manifestação de fé vazia é aquela que precisa de representações. Fosse genuína não usaria de imagens ou rituais. E por que essa gente insiste em defender seu Deus? Ora, Ele que se defenda a si mesmo. Tem idade para isso!
    No caso das crianças chega a ser de uma imbecilidade atroz achar que não precisam da cultura. A criança deve crescer com referências sociais e absorver o modo de vida dos demais. Não há a menor possibilidade de ser diferente, do contrário gerará conflitos. Na vida adulta vai escolher seu próprio modo de vida, como eu escolhi que difere em muito de outras pessoas.
    As seguidas reportagens não ativeram-se ao porquê do pensamento dito como preconceituoso e passou a ser preconceituoso em nome de uma suposta convivência pacífica. A pergunta é simples: não é preconceito achar que não há naturalmente uma seleção do que seja de menino e do que seja de menina? De onde vem esse tipo de seleção? Ora, vem da própria natureza das coisas que se transformam em cultura e, por óbvio, a cultura é um senso geral que vai, sim, conflituar com o específico. Meninos e meninas gostam, sim, de coisas muito diferentes. Mas, igualmente natural, haverá aqueles que gostam de forma diferente. Achar que é a cultura que determina as coisas é de uma burrice tão grande que fico espantado em não perceberem. A cultura é resultado, que, com o tempo, passa a ser causa, da mesma forma que o meio ambiente também gera uma percepção da vida e determina até a criação do próprio deus.
    Antes que me xinguem, devo dizer que não vejo problema algum que as crianças tenham contato com os mais diversos brinquedos e naturalmente selecionem o que mais gostam. Contudo, não esqueçam que o modo de vida e gostos dos pais são preponderantes e inevitáveis. Também não vejo problema algum que os pais definem que uma coisa é para meninas e outra para meninos. Mal lembro dos carrinhos que tive, fiz tapeçaria e costurei, fazendo uma roupa para mim mesmo aos 9 anos. Hoje não me interesso por mecânica, não costuro e ao contrário da maioria prefiro motos a carros. A coisa toda é como filmes, vamos escolher o tipo que gostamos por mais que tenhamos visto o que nossos pais queriam e pronto.
    Os jornalistas foram, e deveras são para com esses assuntos, seletivos e limitados. Os tais contrários ao preconceito, em não fundamentando suas concepções, são igualmente preconceituosos. Isso é facilmente percebido quando baseiam-se em visão pessoal da sociedade, do certo e errado, do que seja melhor ou pior etc escolhendo os entrevistados que reforçam sua visão ou intenção de serem politicamente corretos.
    O discurso da boa convivência é grosseiro. Se a questão é viver em paz por que não aceitar o modo de vida da maioria e não bater de frente, não questionar e simplesmente aceitar? Não sou dos que aceitam imposições, mas é preciso validar o que se pensa e não contrariar o próprio argumento. E, de fato, preferir a paz mais do que ter razão.
    Muito longe de pregar paz, entendo que a segregação é natural. A divisão em modos de vida igualmente natural. Eu me separo de pessoas as quais não quero por perto e você do mesmo jeito. Simples assim. A insistência numa harmonia que jamais existirá só faz por reforçar as diferenças e tensões.
    Enfim, somos diferentes, nos juntamos por afinidades e ninguém (ninguém mesmo) quer seu mundinho invadido, muito menos esses tais defensores da luta contra o preconceito. São absolutamente incoerentes porque não aceitam o diferente do mesmíssimo modo!

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