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    CURANDEIROS REZADORES E O HEMOGRAMA

    Em recente matéria no Globo Rural presenciei a exaltação dos curandeiros, mulheres e homens que receitam plantas tidas como medicinais e fazem orações pelo paciente. Por aqui conhecidos como benzedeiros. Gente que não sabe ler um hemograma, mas discerne os sintomas do que é comum. Os testemunhos foram os mais positivos possíveis e que eu posso ter contra isso? Nada ou tudo. O fato é que fiquei cá cismado em algumas coisas.
    Primeiro, as plantas medicinais são resultados químicos na Natureza. Sim, por óbvio, produzem reações no organismo e podem, inclusive intoxicar, sem perder de vista que nossos corpos não reagem todos exatamente da mesma forma. Além disso, uma pessoa que ingere um chá com vistas a um tratamento, em sendo o mal não identificado corretamente retardará o acesso a quem, de fato, pode examinar com precisão baseando-se em exames de laboratório etc. Isso seria uma ideia geral da coisa. Ademais, por mais que as plantas possam ser um risco foi com elas que a humanidade chegou até aqui e, fique claro, ignorar efeitos colaterais é um ato de irresponsabilidade. Sob todos os aspectos há riscos, como na medicina alopática.
    Somente com a difusão massiva da alopatia tivemos aumento da expectativa de vida
    Segundo, qual seria a diferença entre esses tais e um farmacêutico? Eis que aqui começa o problema que quero abordar. Esses profissionais são proibidos de receitarem remédios. Ora, com a experiência, assim como nossas avós, saberão identificar doenças, ainda mais que a vasta maioria são recorrentes, os medicamentos são conhecidos e nada os impede de conhecer tanto os males, quantos o tratamento. Inclusive o próprio histórico familiar do paciente de forma mais próxima que um médico. Da mesma forma as enfermeiras dos postos de saúde. No dia-a-dia pouca coisa difere do "normal". Digo isso com fundamentado nas conversas que tive com os próprios médicos, os quais reiteraram a mim que poucos atendimentos são algo raro, pouquíssimos. E o que dizer dos profissionais que assessoram médicos em salas de cirurgias e que acabam por realizar procedimentos exclusivos dos médicos? Vale observar que é natural que uma equipe de cirurgiões, seus instrumentistas e enfermeiros, trabalhando juntos por anos, ensinem-se mutuamente.
    Seguindo, na mesma linha estão os massoterapeutas, massagistas, esteticistas e outros tantos profissionais que não podem fazer muita coisa mesmo tendo condições de aprenderem na prática ou com mentores mais experientes, ou pela busca de informações como qualquer estudioso.
    A questão aqui, a despeito dos mais diversos exemplos, é que houve um avanço de restrições às atividades profissionais em favor de médicos com vistas à reserva de mercado, não necessariamente para resolver problemas. Aliás, na minha modesta percepção, criaram problemas. O resultado disso foi óbvio: a rede pública não consegue dar conta, não há profissionais suficientes para a demanda e a criminalização daqueles que poderiam, sim, ajudar (e muito) na saúde da população.
    A exceção de tudo isso, seguem livres, são os benzedeiros receitadores de plantas medicinais e uma vastíssima rede de lojas a vender produtos naturais como se na Natureza não houvesse venenos e como remédios não pudessem gerar outros problemas. Pelo exposto vejo medidas e pesos diferentes para o mesmo caso: SAÚDE!
    Por fim, onde fica a orientação de não haver a auto-medicação?
    Parece que o Globo Rural não levantou todos questionamentos concernentes ao caso. Quem sabe um dia os jornalistas diplomados em faculdade possam fazê-lo. Um jornalista auto-didata como eu nada sabe...

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