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    WILD WILD COUNTRY

    O documentário WILD WILD COUNTRY, do Netflix, mostra a trajetória de Rajneesh Chandra Mohan Jain, o Osho, um guru indiano que ganhou adeptos mundo afora, até falecer de forma estranha em 19 de janeiro de 1990, em Pune, Índia, aos 58 anos. De 1981 a 1985 implantou uma cidade modelar em Antelope, Oregon (EUA), onde seus habitantes plantavam a própria alimentação, tinham total liberdade sexual, numa área adquirida com doações. Toda a infra-estrutura foi construída onde nada havia além de morros e pedras. O documentário não revela em detalhes a origem de milhões de dólares para tal empreendimento. Com a pressão de moradores vizinhos uma longa e extenuante guerra judicial se travou, com ameaças de luta armada, inclusive. Por fim, pessoas mais chegadas a ele fugiram para a Alemanha e Osho foi detido, preferindo um acordo com promotores e deixar o país para sempre.

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    O uso da imagem de "mestre", guru, facilita o convencimento
    Esse documentário mostra quanto o nada pode ser altamente significativo para parte da sociedade. Imagino ser assustador para quem ignora a fragilidade emocional, necessidade de líderes e o quanto é possível usar mentes fracas. Também reforça que a tal espiritualidade, campo fértil para qualquer ideia que não necessite de comprovação, seja racional ou material, move seres humanos por respostas para perguntas básicas. Perguntas que tentamos responder desde sempre.

    Por outro lado, a reação dos vizinhos foi emblemática. Não havia razão objetiva para alarde, já que o grupo estava restrito ao seu modo de vida em sua própria comunidade. Vê-se claramente o quanto a formação de uma ideia, baseada em suposições, pode geral um conflito danoso a milhares de pessoas. Queriam uma cidade para si, só isso.

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    Edir Macedo percebeu a importância da imagem de líder espiritual
    Sigamos. Ora, a ausência de respostas absolutas me faz pensar que as perguntas estão erradas ou, ainda mais aterrador e significativo, NÃO HÁ RESPOSTAS. Porém, como venho dizendo insistentemente, em havendo um SER superior, não está interessado em esclarecer coisa alguma.

    No caso dos tais gurus fica evidente o distanciamento das pessoas de suas próprias realidades, haja vista que seus mestres não vivem o dia-a-dia de seus seguidores. São seres separados, falam o que os adeptos querem ouvir, falam de um mundo melhor, do desapego às coisas mundanas, de vida além das tais mesquinharias, que o amor é tudo e por aí vai. Nada, absolutamente nada que coloque o pão na mesa, nem faça prosperar nos estudos e no trabalho, exceto pelo bom comportamento. E para isso precisa-se de um guru?

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    O reverendo Jim Jones levou 918 pessoas ao suicídio em 1978
    Mas o que ocorre com você, que está envolvido numa crença que julga ser absoluta, verdadeira, que não se sente manipulado e que está eufórico com a nova vida? A primeira coisa é que você está na crença. Isso revela o quanto está necessitado e não percebe que usa de uma forma indireta de alcançar alguma coisa. Se se refere a um Deus está aceitando que use de interlocutores, de meios e não está ligado a ti individualmente. Ao não perceber essa relação eis que se encontra cego para quaisquer outras informações e não está aberto à questionamentos. Segunda característica é de que não pesquisa o contraditório em busca das fragilidades de sua crença. E, mesmo que alguém as aponte, não aceita. Não aceita a possibilidade de estar errado porque faz tanto sentido que ao estar diante da falta de resposta coloca sobre si a incapacidade de entender. Seria um "Não entendi e a culpa é minha!". Terceiro, não percebe que uma relação com Deus não precisaria de referências materiais e não haveria qualquer distinção entre pessoas, seja lá quais forem, seja lá onde estiverem, seja lá em que época tenham vivido. Acha-se tão merecedora da verdade que coloca-se alvo do que outros não foram capazes de receber.

    Para mim o exemplo mais contundente é a incapacidade dos cristãos, islâmicos, indus etc, aceitarem a forma obscura e evidentemente manipulada, consciente ou não, com que foram formados seus dogmas. Negam de forma ruidosa a história de sua fé. Chegam a aceitar que um sepulcro vazio, por exemplo, "só pode ser de Jesus", quando há tão infinitas possibilidades que a verdade simplesmente se perdeu. Aceitam que um sujeito sozinho em local ermo receba a verdade divina e só ele seja capaz de se relacionar com o Todo Poderoso. Além, claro, de a fé ser tão forte que uma Vaca se torne sagrada.

    A sensação de VERDADE é inquestionável e nisso permanecem firmes as crenças a despeito de todas as circunstâncias que as cercam.

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